segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Altruísmo

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Olá.


Ontem eu tive um concerto com o meu pequeno grupo erudito que carinhosamente chamo de orquestra. Não foi a minha primeira vez, e pretendo que não seja a última, claro. Mas... a apresentação de ontem foi um pouquinho diferente das convencionais. Por quê? Para começar não havia algum julgamento. E também não havia alguma pessoa na plateia que entendesse de música, teoria, afins. Então... para quem tocamos? Não, não foi para crianças... justamente pelo contrário. A orquestra tocou numa casa de repouso.


Para quem não sabe, casa de repouso é quase um asilo. E não sei se é ou não costume de uma casa de repouso, mas só havia senhoras, nenhum senhor por lá. Enfim... o barato dessa história é a seguinte. Meu grande amigo (na qual chamo formalmente de "maestro") foi à casa dias antes. E, em nosso último ensaio antes da apresentação, ele disse algo que, a princípio, não saquei:


- Pessoal... estou para dizer que essa é a nossa apresentação mais importante de todas.


Realmente, poucos são os que entendem de começo. Mas, ele explicou. As senhoras que vivem por lá não tem algum tipo de distração. Tevezinha, radinho... somente. Muitas ficam sentadas o dia todo, só esperando o tempo passar. Outras fazem crochê... e outras, infelizmente, não possuem muito o que fazer devido aos males que possuem: Alzheimer, Parkinson. E, o que é ainda pior: NUNCA os filhos, sobrinhos, netos dessas senhoras vão lá visitá-las. Quando meu maestro chegou lá, uma senhora segurou as mãos deles e disse: "Filho, eu sabia que você iria chegar...". Ele não havia entendido, até que umas das funcionárias explicou: quando qualquer homem jovem chega lá, qualquer um mesmo, mesmo que seja para fazer uma simples entrega, ela acha que é o filho dela que a deixou lá. Isso foi chocante. Portanto, fui lá com toda a minha vontade.


Chegando lá, senti um ar triste. Muitas senhoras olhavam incrédulas para nós. Entendi perfeitamente. Quando finalmente chegamos no local aonde estavam todas as senhoras, meu maestro iniciou a apresentação, antes com uma conversa. Ele tocou 4 músicas com seu acordeão. Logo mais, chamou sua amiga cantora, tocou mais duas músicas com seu acordeão (e ambos cantaram) e mais uma com sua viola caipira. As senhoras estavam muito felizes, aí a orquestra entra em cena. Toquei da melhor maneira possível. Tocamos 4 músicas, 2 tristes e 2 alegres. Após isso, elas nos aplaudiram, me senti extremamente feliz; havia uma senhora que ficou - sério! - aplaudindo por mais de um minuto. E quando tivemos de ir, havia uma senhora que chegou para nós e disse que ficou muito contente com a apresentação; fora que, na saída, uma senhora sentada disse a mim:


- Muito obrigada, querido. Vocês que fizeram nossa felicidade aqui, depois de tanto tempo.


Emocionei-me. De fato... foi a apresentação mais importante que eu tive. Se não foi, então... não, foi sim. Quando eu contatei alguns amigos, dizendo que eu ia apresentar em uma casa de repouso, muitos me disseram "que chato!". ALMA PEQUENA, PENSAMENTO PEQUENO.

Me disseram certa vez que altruísmo não existe. Que não existe essa de fazer algo bom sem querer nada em troca. Bem... acho que esses que me disseram isso são aqueles cimacitados "pequenos".


Tchau.


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PS: Parabéns para mim.

Um comentário:

  1. Olá Afonso! Tudo bem? Aqui é a amiga do Athus, que foi com vocês na casa de repouso!

    Primeiro, como boa nascida loira (XD!), fiquei me perguntando "que raios é altruísmo?" ! Hauhaua! Depois de ler o texto inteiro eu entendi!

    Você não está errado, de maneira nenhuma, em fazer o bem para as pessoas. Faça mesmo! E faça sem esperar nada em troca, nem mesmo mérito ou reconhecimento dos amigos da escola! Você vai sentir como é gratificante! E mesmo que você não espere nada em troca, você recebe. Tudo o que você planta, você colhe! Plantou bondade, colheu bondade, mesmo que em outra situação nada a ver com a original.

    Parabéns para todos vocês! A apresentação foi um sucesso!

    Abraços,

    Érica Hotts

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